terça-feira, 19 de junho de 2012

Tudo em que acreditamos nos aprisiona


Por Robert Anton Wilson

Deve ser óbvio para todos os leitores inteligentes (mas curiosamente não é óbvio para todos) que o meu ponto de viste neste livro é de agnosticismo. A palavra "agnóstico" aparece explicitamente no "Prólogo” e a atitude agnóstica é repetidamente mencionada no texto, mas muitas pessoas ainda pensam que eu “acredito” em algumas das metáforas e modelos aqui mencionados. Portanto quero esclarecer , como nunca antes o fiz, que:

Eu não acredito em nada.

Essa afirmação foi feita explicitamente por John Gribbin, editor de física da revista New Scientist, em um debate da BBC com Malcolm Muggeridge, e provocou incredulidade por parte da maioria dos espectadores. Parece ser uma ressaca da era medieval católica que leva a maioria das pessoas, até aquelas considerada,, "educadas”, a pensar que todos devem “acreditar" em alguma coisa ou outra: que se uma pessoa não é teísta, deve então ser uma ateísta dogmática: e se, uma pessoa pensa que o capitalismo não é perfeito, ela deve acreditar fervorosamente no socialis­mo; e se uma pessoa não tem uma fé cega em x, ela alternativamente deve ter uma fé cega em y ou no reverso de x.

Minha opinião é de que a crença é a Morte da inteligência. A partir do momento que alguém acredita em algum tipo de doutrina ou assume a certeza, ele pára de pensar a respeito do aspecto da existência. Quanto maior é a certeza assumida, menos é deixado para se pensar a respeito de um determinado assunto, e uma pessoa que tivesse certeza sobre tudo não teria nenhuma necessidade de pensar a respeito de qual­quer coisa e poderia ser considerada clinicamente morta de acordo com as normas médicas atuais, pois a ausência de atividade cerebral é consi­derada o fim da vida.

Minha atitude é idêntica à do Dr. Gribbin e à da maioria dos físicos de hoje, visto que ela é conhecida como "A Interpretação de Copenhaguen", pois foi formulada em Copenhaguen pelo Dr. Niels Bohr e seus colabora­dores, entre 1926-1928. Algumas vezes, A Interpretação de Copenhaguen é chamada de "agnosticismo modelo" e reza que qualquer plano utilizado para organizar nossa experiência no mundo é um modelo do mundo e não deve ser confundido com o próprio mundo. Alfred Korzybski, o semanticista, procurou popularizar essa física externa por intermédio do slogan: "O mapa não é o território". Alan Watts, um talentoso exegeta da filosofia oriental, reformulou-o mais vividamente como: "O cardápio não é a refeição".

                 

A crença no sentido tradicional, ou convicção, ou dogma, resulta na grandiosa ilusão: "Meu modelo presente" — ou plano, ou mapa, ou túnel-realidade — "contém todo o universo e não precisará mais ser revisto". Em termos de história da ciência e do conhecimento em geral, para mim, isso parece absurdo e arrogante e fico sempre surpreso pelo fato de tantas, pessoas conseguirem viver com essa atitude medieval.

Do Livro: "O Gatilho Cósmico"

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Cabala e o princípio de Causa & Efeito



"Toda a Causa tem seu Efeito, todo Efeito tem sua Causa; tudo acontece de acordo com a Lei; o Acaso é simplesmente um nome dado a uma Lei não reconhecida; há muitos planos de causalidade, porém nada escapa à Lei" – O CAIBALION


Toda ação gera uma reação
, isso é fato comprovado pela própria Física. O Princípio de Causa e Efeito nos fala desta Lei, que é vigente em toda escala da Criação – desde os minúsculos átomos até galáxias inteiras (Princípio de Correspondência).

De toda causa resulta um efeito, e todo efeito tem uma causa, ou seja: absolutamente tudo acontece de acordo com a Lei, não existe acaso, tudo tem sua razão de ser.
Existem vários planos de Causa e Efeito. Há planos superiores que dominam os inferiores, mas nada escapa à Lei. Para ilustrar e exemplificar, vamos utilizar a visão da Cabala sobre o chok hagemul, ou Lei do Retorno.

Para tratar das várias dimensões da realidade, a Cabala utiliza-se de uma divisão em quatro planos, que são Assiah (Mundo Funcional), Yetzirah (Mundo Formativo), Briah (Mundo Criativo), e Atziluth (Mundo das Emanações). Esta divisão nos mostra como é pequena nossa percepção da realidade em que estamos inseridos, e como a grande maioria de nós está apta a compreender conscientemente apenas os ciclos de Causa e Efeito muito próximos.


No plano de Assiah, somos capazes de utilizar a lógica para determinar aquilo que é bom ou mal para nós em menor prazo. Estamos preocupados em obter rapidamente, minimizando ao máximo o custo a ser pago de imediato – porém, sem levar em consideração quaisquer reverberações posteriores destas ações.

Em Yetzirah, lidamos com nosso tesouro interno. Esta dimensão se expressa no tempo como o somatório do nosso passado emocional. Aqui reside a nossa ética, nossa honra, nossa grandeza como seres humanos: “meus negócios são bons apenas para mim, ou todos ganham comigo?”; “Faço algo por que isso será bom para ambos os lados, ou porque quero algo em troca adiante?”. Antes queríamos ganhar sem levar em conta como; em Yetzirah a maneira como ganhamos está sendo avaliada.
Quando chegamos a Briah, começamos a lidar com o Mérito de gerações passadas. Por exemplo, hoje talvez não estivéssemos vivendo com tantos problemas em nosso Planeta (poluição, superpopulação, exploração descontrolada de recursos etc), caso nossos antepassados fossem capazes de vislumbrar o resultado dos seus atos. Briah é o lugar onde nossa história coletiva é moldada ao longo dos anos, onde a nossa ação se junta à de milhares de outros seres humanos para se condensar e retornar a nós.
No universo de Atziluth, encontramos o fazer por fazer, destituído de qualquer desejo. Poder-se-ia dizer que esta é a dimensão onde reside a Vontade, cordão que une os seres humanos ao Divino. Pouco mais pode-se explicar a respeito de Atziluth, dada à distância que estamos de compreender este plano. Faço minhas as palavras de Nilton Bonder*, em seu "A Cabala do Dinheiro": “Esta é a dimensão espiritual, cuja percepção é fugidia. Nela pescamos sem redes – quando quase conseguimos perceber, algo nos escapa”.

É nestes quatro planos que a Lei de Ação e Reação atua. Uma ação pode reverberar reações em diversos planos, e aí está o segredo de como esta Lei pode ser explorada para benefício nosso e da humanidade.
Os Sábios Hermetistas observaram esta Lei e através dela aprenderam a controlar suas ações, para que possam colher reações sempre adequadas a seus objetivos. Assim, de meros peões de um tabuleiro de xadrez tornam-se os jogadores, empregando este Princípio ao invés de serem seus instrumentos.
Procurar aquilo que faz bem a nós e ao outro, que não afeta (rouba) o mundo em que vivemos, beneficiando as gerações posteriores da humanidade como um todo, nos leva a acumular pontos positivos com O Todo.

Fazer algo pensando apenas em si é egoísmo. Se optarmos, porém, pelo inverso, fazendo algo apenas pelo outro sem que nada de bom obtenhamos, é submissão: são dois extremos (Polaridade) nocivos, onde o ideal é encontrar o Equilíbrio (Ritmo). Agindo da forma correta (Causa), estaremos espalhando boas sementes que, mais cedo ou mais tarde, se tornarão doces frutos (Efeito).

Frater Amduscias

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Aprendendo a discordar usando seu papel higiênico

Qual é a forma certa de se colocar um rolo de papel higiênico no banheiro?
POR CIMA!
60% das pessoas têm a certeza absoluta que o certo é o estilo “cachoeira”, com o papel saindo por cima. É mais fácil achar a ponta, dá pra rasgar certinho no picote, não fica raspando a mão na parede (menos bactérias!) e hotéis podem sinalizar aos seus hóspedes que o banheiro foi higienizado, com dobras elaboradas ou colando selinhos.
.
POR BAIXO!
Os outros 40% acham esses 60% uns loucos e estão certos que o melhor é por baixo. O “caimento” é melhor, o papel não fica sobrando, gatos e crianças não conseguem desenrrolar um monte de papel e basta uma puxadinha para rasgar um quadradinho, porque para baixo tem mais tração.
Mas, afinal, quem está certo e quem está errado?
Todo mundo. Não tem certo nem errado.
O papel higiênico é seu, e você usa do jeito que quiser. É uma decisão totalmente pessoal, influenciada apenas por hábitos, com as duas maneiras suportadas por motivos bastante pertinentes.


POR QUE ISSO INTERESSA?


Essa questão bizarra do papel-higiênico serve como dinâmica para colocar o foco na nossa habilidade de argumentação e não para se chegar a uma resposta, já que não tem o certo nem o errado.
Por exemplo, o professor de sociologia Edgar Alan Burns, do Eastern Institute of Technology Sociology, usa esse truque no primeiro dia de aula. Ele pergunta aos seus alunos:
“Como vocês acham que o papel higiêncico deve ser colocado?”
E nos 50 minutos seguintes, os alunos naturalmente começam a avaliar os MOTIVOS para suas respostas e acabam chegando sozinhos a questões sociais muito maiores como:
• diferenças de papéis sociais entre homens e mulheres
• diferenças entre comportamentos públicos e privados
• diferenças entre classes sociais
• etc
São relações de construção social que nunca pararam para pensar antes, mas que agora, sem que ninguém os orientasse, conseguiram enxergar.
Sozinhos, começaram a raciocinar e perceberam correlações e fatos. E, principalmente, começaram a argumentar.
No dia-a-dia, quase nunca fazemos isso. Geralmente, tomamos um partido e passamos a defendê-lo de forma passional, enxergando só o que nos interessa.
Somos bons de discutir, mas ruins para argumentar. Piores ainda para mudar de ideia.
Mais para o boxe do que para o tênis.
O que parece ser uma estratégia não muito inteligente para encarar essa nova sociedade em que conversamos com muito mais gente, sobre muito mais coisas, todo santo dia.

APRENDER A DISCORDAR

A aula do papel-higiênico devia ser dada de cara para crianças.
A escola ensina que existe o certo e o errado, e dá notas baseadas nisso. Mas podia estimular abordagens diferentes, habilidade de argumentação, capacidade de deduzir (algumas já fazem, eu sei, mas a maioria ainda não).
Do mesmo jeito que tem nota para as melhores respostas, deveria ter para as melhores perguntas também.
Senão a gente vai continuar crescendo com essa mania de preferir estar certo do que aprender algo novo, do que parar pra pensar e repensar sempre. Aproveitar a bagagem e o raciocínio do outro.
Já reparou como a maioria dos comentários feitos todos os dias na internet não tem elaboração nenhuma? Ou é genial ou é a coisa mais estúpida que já se viu em toda a a história da humanidade.
O programador Paul Grahan fez um gráfico bacana, que mostra a “Hierarquia da Discordância”, do mais ao menos elegante, do mais ao menos eficiente.
O design thinking é isso. A maneira de pensar de um designer não é a do certo ou do errado, porque não existe certo ou errado na hora de projetar um bule de café. Mas existe o melhor, o mais eficiente. É uma maneira de pensar em que se evolui a realidade.
Quem sabe um dia a gente consegue argumentar sobre futebol, política e religião. Dizem que não se discute, mas a recomendação só existe porque somos meio trogloditas.

Wagner Brenner

terça-feira, 15 de maio de 2012

Tao: a grande rebelião

Os mestres taoístas falam apenas do "Caminho"; Tao significa o Caminho, e eles nunca falam sobre o objetivo. Eles dizem: "O objetivo virá por si mesmo; você não precisa se preocupar com ele".

Se você conhece o Caminho, conhece o objetivo, pois o objetivo não está no final do Caminho, mas ao longo de todo o Caminho; a cada momento e a cada passo ele está presente.



Não que você atinja o objetivo quando o Caminho termina; se você estiver no Caminho, estará no objetivo a todo momento, onde quer que você esteja.

Estar no Caminho é estar no objetivo. Por isso os mestres taoístas não falam sobre o objetivo, não falam sobre Deus, não falam sobre moksha, nirvana, iluminação... não, absolutamente. A mensagem deles é muito simples: você precisa encontrar o Caminho.

As coisas ficam um pouco mais complicadas porque eles dizem: O Caminho não tem mapa, não está cartografado, não é tal que você possa seguir alguém e encontrá-lo. O Caminho não é como uma auto-estrada; é mais como um pássaro voando no céu, sem deixar rastro... O pássaro voou, mas nenhum rastro foi deixado e ninguém pode segui-lo.

Assim, o Caminho é um percurso inexplorado; ele é um percurso, mas inexplorado; ele não está pronto, não está disponível, você não pode simplesmente decidir caminhar por ele; você terá de encontrá-lo.

E você terá de encontrá-lo à sua própria maneira, pois nenhuma outra servirá para você. Buda caminhou, Lao Tzu caminhou, Jesus caminhou, mas esses caminhos não irão ajudá-lo, porque você não é Jesus, não é Lao Tzu, não é Buda. Você é você, um indivíduo único. Somente ao caminhar, somente ao viver a sua vida, você encontrará o Caminho. Isso é algo de grande valor.

É por isso que o Taoísmo não é uma religião organizada, e nem pode ser. Ele é uma religiosidade orgânica, mas não uma religião organizada.

Você pode ser um taoísta se simplesmente viver sua vida autêntica e espontaneamente, se tiver coragem de entrar no desconhecido por conta própria, sozinho, sem depender de ninguém, sem seguir ninguém, mas simplesmente penetrando na noite escura sem saber se chegará a algum lugar ou se ficará perdido.

Se você tiver coragem, esse risco existe; é arriscado, é uma aventura.

O Cristianismo, o Hinduísmo e o Islamismo são grandes rodovias: você não precisa arriscar nada, simplesmente segue a multidão. Com o Tao, você precisa seguir sozinho, precisa estar sozinho.

O Tao respeita o indivíduo e não a sociedade; respeita o único e não a multidão; respeita a liberdade e não a conformidade. O Tao não tem tradição; ele é uma rebelião, e a maior rebelião possível.



Osho, em "Tao: Sua História e Seus Ensinamentos"

terça-feira, 8 de maio de 2012

O Ser é seu salvador

Não há outro salvador, além do seu Ser. Os grilhões da ignorância e dos maus hábitos o escravizam. Você sofre porque teima em seguir os maus hábitos. Se ao menos pudesse imaginar como seria sua vida um pouco mais adiante, para que o tempo, o precioso tempo que lhe resta, não seja gasto infrutiferamente! Os hindus costumam dizer: "A criança está ocupada com folguedos; o jovem, com sexo; e o adulto, com preocupações. Quando poucos se ocupam com Deus!"(...)
Apodere-se de Deus dentro de você e saiba que o Ser é a Divindade. Você deve ser capaz de responder, sem hesitar, à suprema indagação de sua inteligência: "De onde vim?"
Deus e imortalidade não são mitos. O mais grave insulto ao Ser dentro de você é morrer acreditando ser uma criatura mortal. Até quando se permitirá - você, filho de Deus,  - ser ceifado, indefeso pela foice da morte, porque nunca tentou, durante a vida, vencer maya, a ignorância?
Deus existe. Ao ser humano, Ele conferiu , independência, poder e razão. Por ser dotado de razão, o homem pode encontrar o Senhor.(...)
Use a chave da razão. Ela não se encontra nas pedras e nos animais . Deus concedeu o raciocinio ao homem para que ele pudesse libertar-se da ilusão da mortalidade(...)

 Olhe para dentro de você mesmo. Lembre-se: o infinito está em toda parte. Mergulhando nas profundezas da superconsciência, você pode acelerar sua mente pela eternidade afora; pelo poder mental, você pode ir longe , além da mais longíqua estrela. A lanterna da mente está plenamente equipada para lançar seus raios super conscientes no mais recôndito coração da verdade. Use-a para isso.
Lembre-se é você quem deve viajar para o Reino dos Céus; ele não virá por remessa especial. Cada homem tem de trilhar sozinho seu próprio caminho.

Paramahansa Yogananda

[trechos do livro: A eterna busca do homem - como perceber Deus na vida diária]