segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

A Teoria dos Campos Mórficos do Biólogo Rupert Sheldrake

Por: Antônio Silvio Hendges (Professor de Biologia e Agente Educacional no RS.)
Rupert Sheldrake é um dos biólogos mais controversos de nosso tempo. As suas teorias não só estão revolucionando o ramo científico de seu campo (a biologia), mas estão transbordando para outras áreas ou disciplinas como a física e a psicologia.


No seu livro Uma Nova Ciência da Vida (A New science of life, 1981), Sheldrake toma posições na corrente organicista ou holística clássica, sustentadas por nomes como Von Bertalanffy e a sua Teoria Geral de Sistemas ou E. S. Russell, para questionar de um modo definitivo a visão mecanicista, que dá por explicado qualquer comportamento dos seres vivos mediante o estudo de suas partes constituintes e sua posterior redução para as leis químicas e físicas.


Sheldrake propõe a idéia dos campos morfogenéticos, os quais ajudam a compreender como os organismos adotam as suas formas e comportamentos característicos.


Morfo vem da palavra grega morphe que significa forma; genética vem de gêneses que significa origem. Os campos morfogenéticos são campos de forma, campos padrões, estruturas de ordem. Estes campos organizam não só os campos de organismos vivos, mas também de cristais e moléculas. Cada tipo de molécula, cada proteína, por exemplo, tem o seu próprio campo mórfico – hemoglobina, insulina, etc. De um mesmo modo cada tipo de cristal, cada tipo de organismo, cada tipo de instinto ou padrão de comportamento tem seu campo mórfico. Estes campos são os que ordenam a natureza. Há muitos tipos de campos porque há muitos tipos de coisas e padrões dentro da natureza.


A contribuição de Sheldrake foi juntar noções vagas sobre os campos morfogenéticos (Weiss 1939) e os formular em uma teoria demonstrável. Desde que escrevera o livro no qual apresenta a Hipótese da Ressonância Mórfica, em 1981, foram feitas numerosas experiências que, em princípio, deveriam demonstrar a validade, ou a invalidade destas hipóteses. Você encontrará algumas mais relevantes ao término deste artigo.


Três enfoques sobre o fenômeno vital


Tradicionalmente houve três correntes filosóficas sobre a organização da natureza biológica da vida: vitalismo, mecanicismo e organicismo.


VITALISMO
O vitalismo sustenta que em toda forma de vida existe um fator intrínseco, evasivo, inestimável e não sujeito a medidas que ativa a vida. Hans Driesch, biólogo e filósofo alemão precursor principal do vitalismo depois da mudança de século, chamou a esse fator causal misterioso enteléquia, que se fazia especialmente evidente em aspectos do desenvolvimento do organismo como a regulação, regeneração e reprodução.


A forma clássica do vitalismo como foi exposta por numerosos biólogos no princípio de século, especialmente por Driesch, foi criticado severamente pelo seu caráter acientífico: o fator causal (enteléquia) era incerto e não pôde ser demonstrado de modo algum.


Ernest Nagel, filósofo da ciência escreveu em 1951, no seu livro Filosofia e Investigação Fenomenológica: “O grosso do vitalismo [...] é agora uma questão extinta [...] não tanto talvez para a crítica filosófica e metodológica que se há revelado contra a doutrina, mas para a infertilidade do vitalismo em guiar a investigação biológica e pela superioridade heurística de focos alternativos.”


MECANICISMO
Embora numerosos biólogos identifiquem-se como vitalistas, na prática eles são mecanicistas, determinados pelas experiências de laboratório e as exigências da investigação científica de mostrar as experiências com parâmetros que possam ser medidos na física e química. Sheldrake afirma que o fracasso do vitalismo é devido principalmente a sua inabilidade para fazer predições demonstráveis e para apresentar experiências novas.


No momento, o enfoque ortodoxo da biologia vem determinado pela teoria mecanicista da vida: os organismos vivos são considerados como máquinas físico-químicas e todos os fenômenos vitais podem ser explicados, em princípio, com leis físico-químicas. Na realidade, isto é a posição reducionista que sustenta que os princípios biológicos podem ser reduzidos às leis fixas destes dois ramos da ciência.


A ortodoxia científica adere a esta teoria porque oferece um marco de referências satisfatórias, onde numerosas perguntas sobre os processos vitais podem ser respondidas e porque já muito tem se investido nela. As raízes do mecanicismo são mesmo profundas. De acordo com Sheldrake inclusive se admitir-se que o enfoque mecanicista está severamente limitado não só nas práticas, mas nos princípios, não pode ser abandonado e no momento é o único método disponível para a biologia experimental. Sem dúvida continuará a ser usado até outra(s) alternativa(s) mais positiva(s) surgir(em).


ORGANICISMO OU HOLISMO
O organicismo ou holismo recusam que os fenômenos da natureza possam ser reduzidos exclusivamente às leis físico-químicas, pois estas isoladas ou conjuntamente não podem explicar a totalidade dos fenômenos vitais. Por outro lado reconhece a existência de sistemas hierarquicamente organizados com propriedades que não podem ser entendidas por meio do estudo de partes isoladas, mas em sua totalidade e interdependência. Daí o termo holismo, da palavra whole = todo em inglês.


O organicismo foi desenvolvido através das influências de diversos sistemas filosóficos como os de Alfred North Whitehead e J. C. Smuts, psicologia Gestalt, conceitos como os campos físicos e parte do mesmo vitalismo de Driesch.


“O organicismo trata os mesmos problemas que Driesch disse que eram insolúveis em termos mecanicistas, mas enquanto ele propôs a enteléquia não física para explicar a totalidade e diretividade dos organismos, os organicistas propõem o conceito do campo morfogenético (ou embriônico ou de desenvolvimento)”. (Sheldrake 1981).


CAMPO MORFOGENÉTICO
“Os campos morfogenéticos ou campos mórficos são campos que levam informações, não energia, e são utilizáveis através do espaço e do tempo sem perda alguma de intensidade depois de ter sido criado. Eles são campos não físicos que exercem influência sobre sistemas que apresentam algum tipo de organização inerente.”


“[...] centrada em como as coisas tomam formas ou padrões de organização. Deste modo cobre a formação das galáxias, átomos, cristais, moléculas, plantas, animais, células, sociedades. Cobre todas as coisas que têm formas e padrões, estruturas ou propriedades auto organizativas.”


“Todas estas coisas são organizadas por si mesmas. Um átomo não tem que ser criado por algum agente externo, ele se organiza só. Uma molécula e um cristal não são organizados pelos seres humanos peça por peça se não que cristalizam espontaneamente. Os animais crescem espontaneamente. Todas estas coisas são diferentes das máquinas que são artificialmente montadas pelos seres humanos.”


“Esta teoria trata sistemas naturais auto-organizados e a origem das formas. E eu assumo que a causa das formas é a influência de campos organizacionais, campos formativos que eu chamo de campos mórficos. A característica principal é que a forma das sociedades, idéias, cristais e moléculas dependem do modo em que tipos semelhantes foram organizados no passado. Há uma espécie de memória integrada nos campos mórficos de cada coisa organizada. Eu concebo as regularidades da natureza como hábitos mais que por coisas governadas por leis matemáticas eternas que existem de algum modo fora da natureza.” (Sheldrake, 1981).


COMO FUNCIONAM OS CAMPOS MORFOGENÉTICOS?
Os campos morfogenéticos agem sobre a matéria impondo padrões restritivos em processos de energia cujos resultados são incertos ou probabilísticos. Por exemplo, dentro de um determinado sistema um processo físico-químico pode seguir diversos caminhos possíveis. O que o sistema faz para optar para um deles? Do ponto de vista mecânico esta eleição estaria em função de diferentes variáveis físicas e químicas que influenciam no sistema: temperatura, pressão, substâncias presentes, polaridade, etc., cuja combinação decantaria o processo para determinado caminho. Se fosse possível controlar todas as variáveis em jogo você poderia predizer o resultado final do processo. Porém, não é deste modo, mas o resultado final é sujeito ao acaso probabilístico, algo quantificável só por meio de análise estatística. O Campo Morfogenético relacionado com o sistema reduz consideravelmente a amplitude probabilística do processo, levando o resultado em uma direção determinada.


“Os Campos Mórficos funcionam , tal como eu explico em meu livro, a presença do passado, modificando eventos probabilísticos . Quase toda a natureza é inerentemente caótica. Não é rigidamente determinada. A dinâmica das ondas, os padrões atmosféricos, o fluxo turbulento dos fluidos, o comportamento da chuva, todas estas coisas são corretamente incertas, como são os eventos quânticos na teoria quântica. Com o declínio do átomo de urânio você não é capaz de predizer se o átomo declinará hoje ou nos próximos 50.000 anos. É meramente estatístico, Os Campos Mórficos funcionam modificando a probabilidade de eventos puramente aleatórios. Em vez de uma grande aleatoriedade, de algum modo eles enfocam isto, de forma que certas coisas acontecem em vez de outras. É deste modo como eu acredito que eles funcionam “. (Sheldrake, 1981).


ONDE SE ORIGINAM OS CAMPOS MORFOGENÉTICOS?
Um campo morfogenético não é uma estrutura inalterável, mas que muda ao mesmo tempo, que muda o sistema com o qual está associado. O campo morfogenético de uma samambaia tem a mesma estrutura que os campos morfogenético de samambaias anteriores do mesmo tipo. Os campos morfogenéticos de todos os sistemas passados se fazem presentes para sistemas semelhantes e influenciam neles de forma acumulativa através do espaço e o tempo.


A palavra chave aqui é “hábito”. Este é o fator que origina os campos morfogenéticos. Através dos hábitos os campos morfogenéticos vão variando sua estrutura dando causa deste modo às mudanças estruturais dos sistemas em que estão associados.


Por exemplo, em uma floresta de coníferas é gerado o habito de estender as raízes mais profundamente para absorver mais (e/ou melhores) nutrientes. O campo morfogenético da conífera assimila e armazena esta informação que é herdada não só por exemplares no seu entorno, mas em florestas de coníferas em todo o planeta por efeitos da ressonância mórfica.


EXPERIÊNCIAS
De acordo com Sheldrake, um modo simples para demonstrar a existência dos campos morfogenéticos é criando um novo campo mórfico para logo observar seu desenvolvimento.


Código Morse
O Dr. Arden Mahlberg, psicólogo de Wisconsin, realizou experimentos que analisam a capacidade de duas pessoas para aprender dois códigos Morse diferentes. Um deles é o padrão clássico e o segundo, inventado por ele variando as seqüências de pontos e linhas de modo que fosse igualmente difícil (ou fácil) aprender o código. A pergunta é: será mais simples aprender o verdadeiro Morse que o inventado porque milhões de pessoas já aprenderam isto? A resposta, aparentemente, é sim.


Ratos em labirinto
Esta é uma das primeiras experiências realizadas por Sheldrake, recuperada do tempo em que ele começou a considerar os campos morfogenéticos. Consiste em ensinar a um grupo de ratos determinada aprendizagem, por exemplo, sair de um labirinto, em certo lugar, para logo observar a habilidade de outros ratos em outros lugares, deixarem o labirinto. Esta experiência já foi levada a cabo em numerosas ocasiões dando resultados muito positivos.


Organização dos cupins
Mesmo separando um cupinzeiro, alterando sua forma, criando uma espécie de ferimento, os cupins, mesmo cegos reconstroem a forma original. Explicação: há um campo morfogenético que dá forma ao cupinzeiro. Os campos estão presentes em todos os sistemas vivos e/ou organizados, incluindo-se os humanos (lembraram das células tronco?)


Muitas outras pesquisas são propostas pelo biólogo Rupert Sheldrake e outros biólogos organicistas (holistas), que enfatizam a contextualização da Biologia e das pesquisas relacionadas às ciências biológicas, psicologia, física, medicina e outras.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

A arte de morrer

Por: Celso Junior e Monja Coen Sensei


CONGRESSO INTERNACIONAL DO MEDO

Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio porque esse não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas, cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas, cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte, depois morreremos de medo e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.

 Carlos Drummond de Andrade
[do livro Sentimento do mundo.]




Temos conhecimento que no final do século XIX e início do século XX uma série de tentativas em esclarecer o fenômeno da morte, mas ao tentar desvendá-la ou entendê-la, veremos que muitas dessas teorias vão na realidade torná-la mais enigmática do que antes, aprofundando mais ainda a sua negação e o sentimento de medo.
Ao fazermos um retrospecto sobre as maneiras como a humanidade tem lidado com esse tema, somos tomados de assalto por várias dúvidas e perguntas aparentemente sem respostas ao longo da História. O que diremos sobre os entendimentos religiosos tradicionais? Os relatos de milhares de testemunhos de sobrevivência após a morte? São eles e outras experiências como as experiências quase morte, meras fantasias de projeções psicológicas, de auto-satisfação ou afirmação do ego ou pura e simplesmente o resultado de reações neurobioquímicas? Essas teorias conseguem dar conta de todos os fatos e de todas as anomalias? Os vários conceitos de vida pós-morte têm alguma base na realidade?
Não será possível entrar em detalhes ou me aprofundar em cada um dos temas acima, mas me proponho a traçar algumas reflexões:

Nada surge por si só. E tudo está incessantemente se transformando. Somos essa transformação!
Em cada instante nascem e morrem células em nosso corpo.
No corpo Terra nascimento-morte é incessante. No corpo universo ou multiverso, pluriverso, também. É impossível cessar o movimento, a atividade. Mas nós humanos temos a condição de compreender um pouco além de nós mesmos. Acessar a essa sabedoria é encontrar a libertação do ciclo de nascimento-velhice-doença-morte.

Libertar-se da morte é entrega e aceitação.

Isso não significa que as pessoas não devem procurar todos os meios de minimizar sofrimento e dor e tentar viver o mais tempo possível. Significa compreender que vida-morte são uma unidade.

“Sem a convicção de que vou me encontrar primeiramente junto de outros deuses, sábios, e bons, e depois de homens mortos que valem mais do que os daqui, eu cometeria um grande erro não me irritando contra a morte.”
(SÓCRATES IN PLATÃO, 2004:25)


Cada ser humano é um agregado de cinco elementos: forma física, sensações, percepções, conexões mentais e vários níveis de consciência. A forma física é formada pelos cinco elementos, que constituem toda a vida do céu e da terra. Causas e condições propícias e uma forma se manifesta. Causas e condições se transformam e as formas se transformam.

A mente, os vários níveis de consciência, igualmente estão neste constante fluir dependendo de causas e condições. Quando nasce uma criança fazemos uma celebração. Ritual de dar boas vindas. Em vários momentos da vida há rituais que marcam estágios da existência. No final da vida os rituais também são muito importantes e significativos.
A pessoa que está no final da vida, evidentemente, sabe que está no final. Nós somos a vida deste corpo-mente.
A certeza humana da morte aciona uma série de mecanismos psicológicos.

Morrer é como adentrar outra dimensão, como ir fazer uma viagem a lugares novos e desconhecidos. Ao mesmo tempo esses lugares são familiares. Conforme o "carma" – ações que deixam marcas, impressões na realidade – abrem-se mundos diversos para a pessoa que está deixando a vida. Podem ser universos de luz e alegria, podem ser de sofrimento e dor, podem ser campos, animais, plantas belíssimas ou cenários aterrorizadores. Nesse momento dizemos à pessoa que tudo surge de sua própria mente. Que não se atemorize. Que compreenda e, sem apegos e sem aversões, vá à luz infinita, liberte-se da vida e da morte.

Felizes os que conscientemente podem morrer.
Orando e agradecendo a vida. Abençoando e se despedindo com ternura dos que ficam. Entregando-se à experiência seguinte, sem apegos e sem aversões.

Refletido o tema proposto, convido a todos os leitores; a ir Tocando em Frente com serenidade sentindo e compreendendo a única realidade perceptível - O Aqui e Agora!

Amor é a lei. Amor sob vontade!!

domingo, 29 de janeiro de 2012

Alquimia Solar

Nascido nesse labirinto, crescido nesse bum infinito, aprendemos a comer para devorar, a andar para correr fugindo, a falar para matar.
Oh labirinto de insanos que se negam a desporjar-se de suas máscaras, profanos mortos, mornos, insossos eu vos vomitarei!
Parem, parem, parem de inventar leis, reis, inglês, polonês, francês sejam todos únicos, vivos ou mortos sem distinguirem-se, sem fronteiras, sem besteiras.
Somos os únicos bestas que existiram e profeticamente aguardam a besta a gladiar-se com o herói.
Somos só nós, vamos fazer um banquete. Nossa natureza nus, de beleza inebriante em um prazer que cura o espírito de toda hipocrisia.
Sim, ria! chore de rir, arrepie-se por amar; não tenhamos medo, vamos no jogar. É um convite joguemo-nos!
Caindo...
Caindo...
Caindo...
Caindo...
O Cair não acaba jamais?

Tolos! Exerçam a Vontade de voar!

Voem pássaros e percebam que é possível ir além da camada onde se jogaram no abismo.
Caso cheguem até o sol, se tornem o sol. Ícaro só se espatifou porque durante a queda não usou de sua vontade de voar novamente.
No dia que conseguirdes se tornar uno com o Sol, verás a galáxia que se encontra da perspectiva do sol.
Mas não penses que tu missão com isso é findada. Há sóis muito maiores do que agora és e que também deve almejar. Rumo ao infinito!

Trigo.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

O Tao como caminho do meio

Faça o que tu queres há de ser o todo da lei!

O Caminho do Meio, por ser a busca do equilíbrio, o Sol e a Lua; o claro e o escuro; o correr dos rios e o vôo dos pássaros. Movimento que tudo engloba, nada separa. Linguagem da natureza, tão esquecida pelo homem. Harmonia para o desequilíbrio, Yin e Yang, Céu e Terra. A vivência do aqui e agora sem reações, pleno de observações, complementação Homem e Universo.
O sentir é mais importante que o saber. O vivenciar em lugar do relatar. A participação consciente da nossa realidade interna com a externa. Uma proposição ao Homem, de ser um todo corpo, mente, razão e emoção, na eterna dança das mutações em busca da Unidade e da Totalidade do Ser.
Não sei quando aconteceu, mas o homem separou-se da Natureza e, quando tal se deu, ele se enfraqueceu, pois cortou o contato direto com a sua maior força e suprimento de energia que é a Natureza. Se nos aliarmos ao Sol, ao Vento, às Águas e à Terra, seremos fortes e imbatíveis como seres integrantes e participantes deste contexto maravilhoso que é o Universo. Somos um Todo pertencente ao Todo. Somos Unos na Diversificação. Parte de cada gota de orvalho caindo da folha no despertar da manhã. Parte da relva que veste as colinas verdejantes que nos rodeiam. Parte das águas dos rios e dos mares. Sim, somos fortes e não sabemos usar a nossa força porque não estamos centrados em nós mesmos. 
A tecnologia, o intelecto, a razão de valores tão fora da realidade e que nos é imposta, nos afasta do conhecimento real do nosso Ser e amortece o potencial natural de cada um. O caminho do meio é um convite a fluir no Ying Yang, balancear os dois lados da moeda que temos de viver. Vamos conscientizar nossa atuação no cotidiano, no dia a dia, procurando uma forma de equilibrar nossa realidade interna com a que somos obrigados a viver. Vamos nos integrar às coisas simples da Vida, unir nosso potencial individual ao potencial universal. Somos capazes disso. Usemos nosso mental para projeções positivas equilibrando nosso corpo e mente, assim, estaremos mais aptos para vencer as os percalços do caminhar. Valorizando o simples que nos é acessível, como um dia de sol, uma noite estrelada, a beleza de uma flor e o riso de uma criança, estaremos captando o bom e o positivo, o real da nossa existência.

No fluir do Tao, estaremos seguindo o curso da Mãe Natureza. Não podemos eliminar a violência, a desagregação, a desarmonia, o ódio e o medo, como não podemos eliminar a noite e exigir a permanência do dia. Mas podemos nos trabalhar interiormente para melhor receber esses impactos sem deixar que eles nos derrubem.
Sejamos como o junco que durante um vendaval se curva até o chão, no máximo de flexibilidade para não se quebrar e, ao passar da tormenta, se posta ereto, apontando para o céu e dançando ao sol. Sejamos flexíveis com o mundo, com os nossos semelhantes e conosco mesmos. Só assim conseguiremos trilhar o Caminho do Meio.
Assim como o tigre, antes de se lançar à presa, se posta numa aparente imobilidade: no seu interior ele está pleno de concentração, atenção, força e objetividade, para atingir o seu alvo. Assim é o Tao. Na aparente não ação, há um mundo de movimentação, planejamento, expectativa e elaboração.
Sejamos como o água, maleável e fluídica que toma a forma do lugar que percorre, sem oferecer resistência. Vamos aprender a olhar e ver. Tocar e sentir. Sentir mais do que saber. Valorizar o existir. O simples existir e respirar. Andar e falar. Vamos nos centrar no nosso Ser e descobrir a infinita possibilidade de ação que temos.
O homem de hoje não diferencia muito do homem de 500 anos atrás. Mudou a roupagem, vestiu uma fantasia de sábio tecnológico e até atingiu a Lua, mas no fundo do seu ser as suas carências são as mesmas desde que o homem é homem. Ele precisa de Amor, de compreensão, de calor humano e naturalidade de expressão. De espaço, de ar, de tempo. De comunicar e ser comunicado. De criar e atuar dentro das leis da Natureza.

Em plena era da comunicação, o homem nunca esteve tão só e isolado. Inseguro e atemorizado. Pressionado e condicionado. Aprisionado nas malhas da grande rede tecnológica. Vamos usar o intelecto, sim, mas aliado ao intuir. Vamos aprender e saber para melhor sentir e executar. Botar as coisas nos seus devidos lugares, na ordem de grandeza que merecem por sua natureza. E assim fazendo, será mais fácil o fluir do Homem na eterna corrente da evolução.
Estamos no limiar de uma nova era que surge e irrompe como o sol da manhã. Outros cânticos, outras falas. Sons internos que ecoarão por todo o mundo. Um mundo melhor, de mais conscientização, novas conceituações e valores. Uma descoberta do potencial total de cada um. Autoconhecimento e autogestão. Auto-equilíbrio. Auto-confiança. Esta é a proposição do caminho do meio.
Somos seres totais e vivemos uma parcialidade. Por que não viver a totalidade? Os fundamentos do Tao nos mostram que na simplicidade está a sabedoria.

Feliz Ano do Dragão em 2012!!

Amor é a lei, Amor sob vontade.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Carta Capital de Um Livre

Não! Não é propaganda da Embratel!  :b
Ao decorrer de quase uma década é perceptível e isso não me envaidece uma grande transformção ocorrido no meu interior que refelte-se no meu exterior.
Eu sempre fui um grande buscador, para bem os dizer a lembrança dessa busca pela liberdade se dá desde os meus 12 anos de idade, lá quando entrei na catequese na paróquia Nossa Senhora da Cabeça.
Nessa época li um livreto do Maurício de Souza contando a história de Jesus pela Turma da Mônica, esse livrinho foi o primeiro elo arrebentado da corrente que me aprisionava. A frase de Jesus: Conhecereis a Verdade e a verdade vos libertará! Continua em ressonância em meu espírito por todo sempre.
Continuei no "universo católico" até a idade de 22 anos; e nesses 10 anos de catolicismo, fiz diversas amizades, pessoas que tenho admiração, respeito e carinho de bispos à pessoas mais próximas que convivia quase que diariamente.
Dos 18 aos 22 anos cursei a graduação em Letras, Língua Portuguesa e suas Literaturas, esses 5 anos detonou quase todos os elos da corrente que me aprisionara o Espírito, a Literatura em Si foi o alicate Mestre; e o que eu pedira ao Senhor da Vida por anos a Verdade que liberta foi me sendo concedida paulatinamente, mas ainda eu inconsciente nem me dava conta disso...
No ano de 2006 veio a falecer a senhora minha vó Elvira e um turbilhão de sentimentos e pensamentos invadiram a minha alma numa avalanche esmagadora. Entrei em profunda depressão por cerca de 6 meses, uma tristeza que me levou ao fundo do poço.
Após 6 meses a tristeza já não era mais tão intensa e foi então que numa noite tive um sonho: A senhora minha vó, a beira da minha cama, ajeitando o meu lençol, beijando-me a face e dizendo que naquele momento não podia ficar mais presa a nós. Partiria em viagem para o seu local devido e não voltaria mais, pelo menos por enquanto. Esse sonho foi completamente real, fora o sonho mais lúcido que eu tive até o exato momento em toda minha vida. E fui eu a fundo para a compreensão desse sonho.
Tendo eu vislumbrado e tido a experiência do plano espiritual, decidi pesquisar a fundo assuntos desses temas, sem me preocupar nem tendo medo dos novos conhecimentos que viria adquirir, nem no que falariam ou deixariam de falar os preceitos católicos, e a sua comunidade; TIVE A CORAGEM DE UM LEÃO E A AUDÁCIA DE UMA ÁGUIA em me lançar em novos vôos.
Atitude no qual não me arrependo, pois, desbravar esse novo universo foi de uma magnitude que alimenta o combustível de meu ânimus até o dia de hoje.
O Novo Horizonte que se abria aos meus olhos me apresentava o Espiritismo; em um ano li todas as Obras de Allan Kardec [Hippolyte Léon Denizard Rivail (Lyon, 3 de outubro de 1804 — Paris, 31 de março de 1869) ] e também do grande filósofo Leon Denis e a frequentar durante algumas vezes as Reuniões e Palestras na Sociedade e Fraternidade Espírita aqui na Penha e o Leon Denis em Bento Ribeiro, além da constante participação nos Fóruns da Comunidade Allan Kardec e Espiritismo do Orkut, comunidade essa que encontrei grandes irmãos, ou reencontrei, vai lá saber! =D

Já estou sendo prolixo, calma amigos, irei encurtar.

O Espiritismo foi o arco que me lançou como uma flecha pelo conhecimentos e prática das Leis que regem o Universo, muitos, muitos conhecimentos vieram a mim, e se vieram é porque de certa forma estava Eu preparado para Tal conhecimento, pelos céus que a estrelas estão o Orkut foi a grande ferramenta que me levou a conhecer diversos caminhos e práticas, no qual não quero contar pra todos, mas já conhecido de muitos.
Toda essa trajetória arrebentou de vez os Grilhões que me aprisionavam, corpo, mente e espírito.
Os principais resultados são que religiões são importantes para a sociedade contemporânea e no meu caso as duas Catolicismo e Espiritismo foram estradas no qual passei necessárias para o arremesso para a minha liberdade. Porém, todas as religiões são mais do que tudo regidas nas elaborações de doutrinas e dogmas nada mais, nada menos que feitos por homens, para o controle social e as construções das personas na coletividade.
Liberdade é arrancar todas essas máscaras que as instituíções governamentais, religiosas e fractais nos oferecem e jogá-las no lixo, sentir-se e amar-se como indivíduo, único e ao mesmo tempo igual a tudo o que é vivo, pois, tudo que é vivo é sagrado!
Somente uma Vontade incondicional pela liberdade regida pela Lei do Amor, poderá fazê-nos livres!

Faça o que tu queres com Amor; porque Amor é a Lei. Amor sob Vontade!

...Deixei as botas para trás

Celso Junior